quinta-feira, 25 de julho de 2013

Presta a atenção, menino.

1-

Dá-lhe, Dona Irmes! 

Quando era criança, minha mãe sempre dizia que "a casa de fulano fica ali perto da Antártica". Era a fábrica da Dubar e meus irmãos mais velhos me corrigiam quando eu repetia, "lá é a Dubar, não é Antártica". Respeitosamente não questionavam a mãe (a gente não fazia essas coisas naquele tempo),"que devia ter feito confusão". 

A Antártica era chique. Do Guaraná. A Dubar, do Fogo Paulista. 

Por causa do Rabuja, fui pesquisar a Dubar e vi que ela foi fundada em 1913 pela Cia Antarctica Paulista.

A mãe tava certa. De novo.


2-

O pai era exagerado. Ou melhor, digamos... enfático!

Não conhecíamos as coisas da cidade grande. Nem elevador, nem avião, nem metrô, nem café de máquina.

"Aquele café é esquisito, não faz fumaça, tem que tomar cuidado senão queima a boca. É café espremido!"

Achava engraçado. "o pai não sabe o que é expresso! é café rápido, que se tira depressa"

Muitos anos depois, por causa da grafia "espresso" de uma publicidade de café italiano, pesquisei e encontrei a origem da palavra. Expresso vem de espremer. Pode ser espremido(*)! Somos Feliciani e o Dorival era uma geração mais próxima da língua do bisavô Horazio.

Tá vendo? Duvida!

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(*) Etimologia

lat. expressus,a,umpart.pas. de exprimĕre 'apertar com força, comprimir, espremer, tirar de, arrancar, reproduzir, representar, verter, traduzir, exprimir, dizer, enunciar claramente, declarar formalmente'; como atributo de tremprov. calcado no fr. express (1849) e, este, por sua vez, no ing. express (train1841), express subst. (1842); ver -prim-f.hist. sXV expresso, sXV expreso

Um comentário:

Jonathan Constantino disse...

Boa tarde Mário,

Agora mesmo assisto ao programa "Arteletra literatura" e vejo você e Nina Miçoba Ferraz sendo entrevistados. Curioso fui futucar a internet e ela me apresentou a seu blog. Li dois textos e já me encantei, me identifiquei.

Vou recomendá-lo em meu blog!

Um forte abraço
e bom trabalho

Jonathan Constantino