segunda-feira, 12 de março de 2012

Pra que servem as certezas

Acho que ela tinha uns 16:

"Meu gato sumiu.

Minha mãe disse que de duas uma: ou ele foi atropelado e morreu; ou alguém roubou ele, que é bonitinho.

Mas eu tenho ceeerteeeeza que alguém roubou."

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mãezona, mas educadora

Diz que a galinha cerca os pintinhos do máximo de mimos e cuidados. Não é verdade. Ou é meia-verdade, que padece do mal de ser meia-mentira.

Na idade de cobrir com as asas, contra o frio e a chuva, claro que ela cobre. Mas depois ela segue como se estivesse sozinha, faz o que tem que fazer, cisca, pega os vermes e as pedrinhas pra moela. E daí, virou-e-mexeu, os pequeninos ficam lá atrás, no mundo da lua, até que notam a distância e disparam até ela.

"Pééééra, mãe!"

É a educação pelo exemplo.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O mundo dos sonhos (*)

Exceto quando mata a saudade daqueles que de outra forma não vemos mais, quase nunca o sonho é prazeroso.

Pelo menos os meus, sonho tem mania de ser confuso, muito além do limite da folia: começa com uma coisa boa e a interrompe na hora h; mistura situações absurdas; ou nos põe em enrascadas, pelados no lugar errado.

Quase nunca tem o sabor do doce xará, mas ainda assim dizemos coisas como um “sonho de liberdade”, "a casa dos sonhos", “sonho de valsa”.

Pouco importa se, depois da liberdade, vem uma situação de sinuca, ou se as torneiras da casa vertem o que não devem, ou se pisamos no pé da moça. Todas as expressões em que aparece são positivas. Pra falar do negativo não se usa "sonho", a regra; mas o primo mau "pesadelo", a exceção.

É que sonho é esperança, imprevisível como poucas vezes a vida é. Como nele tudo pode acontecer, das formas mais mirabolantes, a felicidade sempre tem uma chance.

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(*) Pra Luciana Garbellini

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A primeira manhã do construtor















Esse é o Edifício Martinelli em São Paulo. O colosso da época, dele vê-se até o Pico do Jaraguá.

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Diz que o Conde de mesmo nome fez a própria casa no topo do Martinelli pra provar que não era perigoso ficar no arranha-céu, pioneiro em São Paulo.

Na primeira manhã em que acordou na casa nova, encostou-se no parapeito de camisolão libertário, olhou aquela imensidão toda, balançou a cabeça com um bico de duce e mandou:

- Cazzo! ma que prédio "arrrto" que fiz!

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(*) foto da internet, não sei de quem é

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O consertador das sintetizadoras

Bom encontrar o Celso.

Desde os 12, faz 54, conserta corpos e lentes das câmaras fotográficas. Começou com o pai. Hoje já cuida das digitais, “só as profissionais”, mas ainda as pensa piores. Bem piores. Não têm profundidade de campo, os grãos são muito grandes e morrem cedo. “Os 20 anos das antigas, nem pensar.”

A oficina é muito pequena. Olha as lentes com lentes.

As lentes reduzem o mar, a montanha, a planície, a mulher bonita, pra caberem nos negativos e agora nos sensores. E, quando essas grandes redutoras adoecem, deixam por um tempo o mundo vasto e vão se encolher no quartinho e nas mãos do Celso.

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Duas das coisas que me irritam

Quando peço tônica e alguém diz: "não tenho, serve soda?"

Quando falo do Dori Caymmi e vem: "prefiro Danilo (ou Nana)".

Ara!

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Duas coisas engraçadas do mundo jurídico

1) Frase mais do que comum nos documentos jurídicos: "... em observância às disposições da lei 8.666/93 e suas alterações POSTERIORES"

Ta certo que não sou bom em achar perdidos, mas, por mais que fuce, não consigo encontrar as alterações ANTERIORES de nenhuma lei.


2) Não é de hoje que as Leis Municipais de São Paulo vêm com esse preâmbulo:

"Fulano(a), Prefeito(a) do Município de São Paulo, no uso das atribuições que LHE são conferidas por lei, FAZ saber que a Câmara Municipal decretou e EU PROMULGO a seguinte lei:"

Afinal, quem é o Prefeito? é ELE (LHE) que FAZ saber; ou EU, que PROMULGO?

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