terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mais caipira hoje

Hoje to mais caipira. Não tive escolha, morreu o Pena Branca.

Na voz (às vezes é uma) e nas vozes (às vezes são duas) dele e do irmão Xavantinho, que já foi, eu prefiro a Vaca Estrela e o Boi Fubá do Patativa do Assaré.

E por falar em estrela e caipira, não é bacana que o ovo seja estalado, já que estala, e estrelado, já que tem forma de estrela, e que estalado seja palavra parecida com estrelado?

Eh povo bão de poesia!

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Domínio público?

Uma obra de arte, depois de um prazo, passa a ser de domínio público.

O que isso significa exatamente? que quem publica fica isento de pagar direitos autorais. Só isso.

Não fica obrigado a cobrar menos pela obra, a entregar volumes para as escolas, para as bibliotecas. Só tem um custo a menos. No caso dos livros, no Brasil pelo menos, como o custo diz pouco sobre o preço, domínio público é sinônimo de maior margem de lucro.

Se o domínio é público, quem publica deveria pagar o equivalente ao direito autoral para a sociedade. Por exemplo, para o Estado. E o dinheiro seria usado em favor da cultura.

Como está, o domínio público tem mais cara de domínio privado.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Todo santo dia?

Um leão a flechadas, vá lá.

Mas as cinco hienas a dentadas não dá pra segurar.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Habilidades I – O chapeiro

Nas padarias, o balcão em volta da chapa fica cercado de fregueses criativos, cada um com seu sanduíche personalíssimo, e, do lado de dentro, três ou quatro atendentes esmerando-se para satisfazer sua urgência.

Ouvem o pedido e o repetem ao chapeiro.

Chapeiros não ouvem nada além das vozes dos atendentes. Ou, se ouvem e respondem a conversa de algum freguês conhecido, separam esses diálogos daqueles da chapa.

Cada pedido é dito uma única vez e memorizado na ordem de chegada. Se for esquecido, só se saberá quando o freguês estranhar a demora e pedir de novo. Caso seja freguês autêntico de padaria, pedirá com cordialidade, talvez alguma piada, pois sabe que raramente o chapeiro esquece.

O atendente não pode pedir duas vezes a mesma coisa, já que não há como diferenciar o reforço de outro pedido idêntico.

As mãos têm que ser hábeis, para a rapidez; talentosas, para o sabor; cuidadosas, para não se queimarem na chapa. E a memória, perfeita.

É linha de montagem de mãos e cachola.

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Livro virtual (*)

Há quem ache chato de ler. Eu também achei esquisito quando os pergaminhos viraram livros, mas agora eu já me acostumei.

Mas as vantagens do livro virtual são muitas.

O próprio objeto livro, principalmente os de edições mais baratas, vai ser muito beneficiado: haverá liberdade no tamanho da letra, ideal para cinquentões e seus óculos de ponta de nariz; a entrelinha será a da escolha do leitor, até que enfim; o papel nunca mais será fino, extinta aquela prévia da página seguinte; o peso será menor e vai se erradicar a dor no braço pra ler catatau na cama; você levará todo o Balzac na mochila para Jericoacoara e finalmente entregará a dissertação; não juntará poeira; nem traças; etc.

Claro que é um mal com que a gente já se conformou, mas a mudança de página (que não há no livro eletrônico) é uma interrupção arbitrária, determinada pelo tamanho da letra, pela entrelinha e pelo tamanho do livro.

Do ponto de vista ambiental, há que se lembrar que papel é árvore e árvore, mesmo replantada, ocupa terra, que tem melhor uso quando se produz comida.

Os apartamentos poderão ser menores.

No caso das enciclopédias e outros livros didáticos, será possível acrescentar sons (no futuro, talvez até cheiro). Imagina: "a poesia romântica era assim, e a pintura era assim, e a música era assado".

Teremos mais músicos!

Mas as vantagens não param aí, a indústria de livros vai mudar muito: não haverá mais tiragens mínimas, aqueles malditos 500 livros que as gráficas impõem; as edições deixarão de ser finitas e os possíveis 50 outros leitores do livro de edição esgotada poderão receber seu "volume"; o preço do livro poderá ser menor, já que não haverá custo de gráfica e o de distribuição será muito baixo (**); a maior parte do preço poderá ser do autor, do tradutor, do resenhista e do ilustrador (***).

E tem a liberdade. Você vai juntar uma gangue de autor, tradutor, resenhista e ilustrador e vender seu livro direto para o distribuidor virtual, sem ter que se expor praquele olhar enviesado do editor.

Agora talvez a maior vantagem: nunca mais o autor vai ter que pôr dedicatória no lançamento (haja criatividade) e nem vai se esquecer do nome daquela pessoa que comprou, ali bem na hora da fila.

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(*) chamei de livro virtual para não usar palavra estrangeira, talvez devesse usar livro eletrônico, principalmente porque todo livro é virtual.

(**) e (***) - só vão acontecer quando o capitalismo não for tão torto, o que eu acho que vai demorar

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pedro Miranda

Dizia o João Saldanha que gramado ruim nivela o craque ao perna de pau. Fica tudo pelada.

Alguma grama é bem cuidada, mas chama a atenção como Pedro Miranda, no seu Pimenteira, conduz a pelota por umas canções-gramado-ruim. E com que maestria dribla e acaricia a bola sobre o morrinho artilheiro dos versos quebrados, enfiado nas frases musicais de tropeço do quique caótico da touceira de capim não arrancado.

Ouçam o Pimenteira, grandes compositores. Convidem o Pedro de montão.

Em bons gramados, ainda vamos ver grandes clássicos. O samba é seu dom(*).

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(*) O samba é meu dom - Wilson das Neves e Paulo Cesar Pinheiro

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O "mute" contra o nasal

Tecla fundamental pra livrar o telespectador da falta de talento da publicidade brasileira (que é a pior do mundo, não que eu conheça as outras, mas não pode haver nada pior do que essa que nos atormenta), o "mute" é indispensável também pra defender ouvidos tupiniquins.

Defender da gritaria de todos os reclames, sejam eles nacionais ou estrangeiros e, no caso das tevês americanas (nem se traduzem mais os títulos dos programas, haja!), nos proteger dos sons nasais.

O inglês dos americanos é horrivelmente nasal, o que deixa quase todos os atores com voz ardida (ave Morgan Freeman). Pode-se amordaçar um americano que ele continua tranquilamente falando pelo nariz, mas, lá no norte, um simples surto de constipação deixa todo mundo mudo.

E, como se não bastasse a língua, tem a guitarra. Instrumento muito sonoro nas mãos de uns poucos, na maioria das vezes (sabe quando?, quando ela faz, deixa ver se eu consigo, uhóón uhóóónn uhóóóónnnn) ela também canta pelo nariz.

"Mute" no intervalo. Tem muito inglês e guitarra nele.

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