sexta-feira, 23 de agosto de 2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Um dia, quem sabe

Entramos juntos no elevador. Era um homem alto, negro, muito bonito. Pediu um andar incerto pra ascensorista:

"Por favor, 24o. O Augusto fica lá, não?"

"Augusto, será que eu sei quem é?... não tenho certeza."

"Um homem da minha idade", titubeou e disse com voz meio escondida, meio apontado pra si mesmo "negrão".

Fosse "altão" ou "careca" diria com firmeza. "Negrão" quem sabe um dia, se tudo correr bem.

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Presta a atenção, menino.

1-

Dá-lhe, Dona Irmes! 

Quando era criança, minha mãe sempre dizia que "a casa de fulano fica ali perto da Antártica". Era a fábrica da Dubar e meus irmãos mais velhos me corrigiam quando eu repetia, "lá é a Dubar, não é Antártica". Respeitosamente não questionavam a mãe (a gente não fazia essas coisas naquele tempo),"que devia ter feito confusão". 

A Antártica era chique. Do Guaraná. A Dubar, do Fogo Paulista. 

Por causa do Rabuja, fui pesquisar a Dubar e vi que ela foi fundada em 1913 pela Cia Antarctica Paulista.

A mãe tava certa. De novo.


2-

O pai era exagerado. Ou melhor, digamos... enfático!

Não conhecíamos as coisas da cidade grande. Nem elevador, nem avião, nem metrô, nem café de máquina.

"Aquele café é esquisito, não faz fumaça, tem que tomar cuidado senão queima a boca. É café espremido!"

Achava engraçado. "o pai não sabe o que é expresso! é café rápido, que se tira depressa"

Muitos anos depois, por causa da grafia "espresso" de uma publicidade de café italiano, pesquisei e encontrei a origem da palavra. Expresso vem de espremer. Pode ser espremido(*)! Somos Feliciani e o Dorival era uma geração mais próxima da língua do bisavô Horazio.

Tá vendo? Duvida!

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(*) Etimologia

lat. expressus,a,umpart.pas. de exprimĕre 'apertar com força, comprimir, espremer, tirar de, arrancar, reproduzir, representar, verter, traduzir, exprimir, dizer, enunciar claramente, declarar formalmente'; como atributo de tremprov. calcado no fr. express (1849) e, este, por sua vez, no ing. express (train1841), express subst. (1842); ver -prim-f.hist. sXV expresso, sXV expreso

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Vir de lá


Nasceu num cantinho do mundo onde pouco havia de livros e pensadores organizados. Como sempre, só a professora.

Acotovelou a torto e a direito pra botar o nariz pra fora da água da indiferença da cidade grande.

Agora é tolerante e receptivo com aqueles que o bordoaram pra que afundasse e pra lá de rigoroso com os que tentam flutuar como ele conseguiu.

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Recursos

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Esse pessoal de informática é engraçado (posso rir, pois já fui um).

Além da perigosa correção automática, tem um recurso que é a previsão da próxima palavra. Por exemplo, neste momento, se eu escrevesse "próxima", o sistema botaria "palavra", pois aprendeu a sequência logo acima.

Muito útil praqueles castigos da dona Zuleica:

"Juquinha, não fez a lição de novo? escreva quinhentas vezes: não devo ser preguiçoso".

E o Juquinha, que pode ser folgado, mas é craque de micro, liga o recurso, escreve "não" e já vem "devo", aceita  e vem "ser", aceita de novo e vem "preguiçoso".

Depois é só ir aceitando pra preencher as páginas.


(útil pro Jack do Iluminado também... "muito trabalho sem diversão faz de Jack um bobão").

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PS: claro que "ctrl c" e "ctrl v" é mais fácil. Não estrague minha piada.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Da utilidade dos conceitos jurídicos


Dia desses, entre outros avisos assépticos, vi num banheiro masculino: 

“Não urine no chão”

Aí também já é demais!

Por  mais que as moças odeiem nossa má pontaria, arrogante é certo, já que tentada lá de cima, não se trata de delito doloso (aquele cometido com intenção), mas culposo, o tal do "benhê, foi sem querer".

Dentre os culposos, nem mesmo se pode dizer que caracterize imprudência (fazer o que não deve) ou negligência (não fazer o que deve), uma vez que é resultado de clara e desculpável imperícia torta (ops!), já que seria excessivo qualificar a atividade de fazer xixi como profissional.

Se fosse doloso, caberia o “não urine no chão”, na linha do “não matarás”. Como é culposo, vai melhor um “tome cuidado para não urinar no chão”. E um “, meu querido!” logo depois também não iria mal.

Mais afeto e menos bronca com o menino.

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PS pras advogadas: no benefício da dúvida, tá mais pra culpa consciente do que pro dolo eventual.

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