terça-feira, 22 de novembro de 2011

A pergunta mais difícil

- Quero pagar com cartão. Aqui está.

- Crédito ou débito?

- Esse é crédi.. não, débi... péééra, crédi... éé... CRÉDITO! ESSE É CRÉDITO.

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PS: queria muito ser cartunista

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Negócio da China

Sociedade num pronto-socorro cardiológico no Itaquerão

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pizzas e expressões

Pizzaiolo tem o direito quase divino de errar à vontade. Pode fazer pizza, como se o fosse!, de frango com catupiri, califórnia, chocolate e qualquer outro descalabro que a temerosa criatividade culinária invente.

Até milho!

Mas essa prerrogativa não dá, de jeito nenhum, ao empoeirado o direito de estragar nossas expressões.

Uma coisa que não é nem assim nem assado sempre foi dita "mezzo alice, mezzo mozarela", com sotaque carregado e errado.

Duas certezas contrapostas montavam uma dúvida.

Agora, que vêm esses pilotos de forno a lenha conspurcar com mozarela a pizza de alice, como fica o dito: "Isso é assim-assim: mezzo alice i mozarela, mezzo mozarela"?

É o mezzo do mezzo! Tem cabimento?

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Felicidade possível

O cara que foi moleque bom-de-bola já teve, da vida, metade da felicidade possível.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ângulos, Reais e grilhões (*)

É muito difícil se livrar de alguns dos grilhões da cultura.

O retângulo é um deles e a arquitetura corriqueira prova isso. Os ângulos retos parecem impostos pelo movimento das gavetas, delas para os móveis e dos móveis para os cômodos, já que nem todo mundo se conforma com cantos inúteis na casa, embora não o sejam.

O mesmo retângulo dominou o papel para escrever, pois as linhas tinham que ser constantes; e o papel-moeda, sem nenhuma razão além do corte sem perdas, coisa que só fazia sentido antes das técnicas de reuso.

Agora, as novas notas de Real têm tamanhos diferentes para a identificação de quem enxerga pouco ou nada. Difícil imaginar coisa mais justa.

Mas há um prejuízo nos novos formatos. As carteiras (masculinas!) podiam ser mínimas, quase do tamanho de um cartão eletrônico e de uma nota das antigas, dobrada. Ao aumentar a de 50 e a de 100 para diferenciar, elas passam a não caber mais no mesmo cantinho.

Não fosse o preconceito do ângulo reto, nosso dinheiro não precisava crescer. Bastava usar outras formas geométricas: a de 100 seria um retângulo (vá lá); a de 50, um pentágono; a de 20, um hexágono; a de 10, uma elipse; a de 5, sei lá, pense aí.

Hexágono e pentágono irregulares, claro. Compridinhos. Não me venha com outro preconceito de que polígonos têm que ser regulares.

(Calma aí, espertinho. Repare que, se cortar um pedaço, diminui o valor. Já tava pensando em pegar a tesoura pra enganar o cego?).

De quebra, ainda teríamos o dinheiro mais peralta do planeta.

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(*) pro Glauco Matoso

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Assim como 4

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"O feijão tava mais insosso do que texto revisado."

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A morte e a morte da carta

A primeira morte da carta nem sei direito por que se deu. Talvez por causa do telefone, aos poucos o correio passou a enviar apenas contas e malas diretas.

Eu mantinha um único correspondente. Escrevia pra um amigo em letra de mão, com tinteiro, e ele respondia na Remington, que sua letra ninguém lia, ainda mais rabiscada naquele traço de lápis apenas sugerido, como os esboços que ele faz pra pintar.

Quebrou-se a Remington, ele parou de escrever, passamos a nos falar mais amiúde na praça, e minha balança de pesar cartas continua lá, pendurada mas aposentada, empoeirando.

Coincidência ou não, tiraram também a caixa de correio da esquina, pode-se imaginar a razão: "ufa, até que enfim esse Mario parou de escrever! tirem a caixa".

Nasceu então o e-mail. Renasceu a carta. A carta com tecnologia. Uma beleza, se podia escrever pra um grupo de amigos, bem selecionados, conforme o tema e o coração, e ficar naquela troca de respostas por dias. Era a carta turbinada.

Mas, se tem um defeito grave na tecnologia, é que ela evolui depressa demais.

Nasceu o fac(m)e-book. O e-mail turbinado. A carta turbinada ao quadrado. Os amigos, antes selecionados, agora proliferam como bactéria em maionese. Enviam-se convites de amizades como aqueles meninos de pátio de recreio que corriam e propunham: "você quer ser meu amigo?". Sem critério além do da proximidade. Critério para a amizade é coisa que se conquista com a vivência.

Todos dizem que é outro o objetivo, que a rede social é importante para as trocas, principalmente profissionais. Pode ser, mas o e-mail morreu. Agora no fam(c)e-book a gente escreve pra uma grande pessoa jurídica, sem rosto: os amigos(?) de mim.

É a segunda morte da carta.

Inútil lamentar, a tecnologia não tem caminho de volta. Sempre pra frente, por isso às vezes encalha no mata-burro.

Sei que fui castigado pela infidelidade, mas vou atrás do perdão. Alguém há de consertar Remingtons, a poeira pouca imprecisão deve ter botado na balança e ainda tenho os selos. Só falta a caixa de correio da esquina e vou ter que pegar o carro. Quem sabe entrego as cartas em mãos.

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