Telejornais não valem a crítica, mas quem foge deles?
As editorias podiam ao menos poupar as pessoas presas do constrangimento de serem filmadas entrando nas delegacias, ou sendo jogadas nos camburões, ou expostas em filas de algemados, ou sendo obrigadas a comentar alguma coisa.
É ainda pior do que o embaraço dos que sofreram nas tragédias, pois esses têm a dignidade dos atingidos por aquilo que o destino tem de implacável. Já os presos estão derrotados por si mesmos, por seu próprio tropeço.
Quem não considera a exposição uma desumanidade nunca olhou nos olhos dos capturados (sim, eles os têm!).
Senhores jornalistas, se não for por humanidade, abstenham-se de filmá-los por legalidade. Por mais que vire e revire, não encontro no código a pena de “EXPOSIÇÃO PÚBLICA DO INFORTÚNIO”.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Máquina de ler
Compramos um tablete pequenino.
Botei um livrinho lá. O meu. Tenho o pdf, eu diagramei.
E li. E fui lendo. E a tela fica parecendo uma página de papel. Li igual. Estava lendo um livro. Sem tirar nem pôr. Com o mesmo prazer (ou o mesmo desprazer de ler o próprio livro). A mesma concentração (ou desconcentração, depende do conteúdo).
A luz é clara? É nada. Até dispensa a lâmpada de cabeceira.
Vai cansar? Vai nada. Nunca passamos diante de um livro o tempo que a gente passa diante do computador e ninguém está exausto por isso. Estamos exaustos (até por causa do computador), mas não por causa da tela.
É uma boa máquina de ler. Como o livro.
Botei um livrinho lá. O meu. Tenho o pdf, eu diagramei.
E li. E fui lendo. E a tela fica parecendo uma página de papel. Li igual. Estava lendo um livro. Sem tirar nem pôr. Com o mesmo prazer (ou o mesmo desprazer de ler o próprio livro). A mesma concentração (ou desconcentração, depende do conteúdo).
A luz é clara? É nada. Até dispensa a lâmpada de cabeceira.
Vai cansar? Vai nada. Nunca passamos diante de um livro o tempo que a gente passa diante do computador e ninguém está exausto por isso. Estamos exaustos (até por causa do computador), mas não por causa da tela.
É uma boa máquina de ler. Como o livro.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Capas que mudam
Ganhei de um bom amigo um livro que fala de livros antigos, papiros, pergaminhos, e os riscos que corriam, principalmente a censura, mas também o fogo nas bibliotecas, a chuva que lavava as letras, as traças insaciáveis. É da Companhia das Letras e o título vem escrito (com R invertido) naquela tinta especial, dourada, que sai nos dedos. Ando com ele pra cá e pra lá e, no meu volume, o título já não se lê todo, em parte se adivinha.
Como nos textos antigos.
Não creio ter sido a intenção do capista, mas faz sentido.
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Como nos textos antigos.
Não creio ter sido a intenção do capista, mas faz sentido.
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
Sempre mudando
Me interessa menos a piada do que a mudança de comportamento.
Na internet se invertem as piadas machistas (velhíssimas) e invertidas parece que elas não ofendem.
Na versão original dessa aí embaixo, um caipira era derrubado uma vez pelo burro na chuva e dizia "primeira vez". Novo tombo e “segunda vez”. Na terceira, matava o burro com um tiro. Quando chegava em casa a mulher reclamava da demora e ele dizia: "primeira vez".
Já vi invertida também a da geladeira e da cama.
Na internet se invertem as piadas machistas (velhíssimas) e invertidas parece que elas não ofendem.
Na versão original dessa aí embaixo, um caipira era derrubado uma vez pelo burro na chuva e dizia "primeira vez". Novo tombo e “segunda vez”. Na terceira, matava o burro com um tiro. Quando chegava em casa a mulher reclamava da demora e ele dizia: "primeira vez".
Já vi invertida também a da geladeira e da cama.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Hora de verão
As mudanças do tempo são paulatinas. Como o próprio tempo.
Antes dos relógios, o momento de acordar vinha com o primeiro raio de
sol que iluminava a cama. Desde o inverno, a cada dia um pouco mais cedo. Passo
a passo.
Agora a mudança é uma hora de uma vez só. De sopetão.
“Como é bom o horário de verão. O trabalho já acabou e o sol
ainda está lá.”
Até é verdade, quando se olha de uma ponta. Visto da outra
ponta, de quem acorda na madruga, quando estava pra chegar o momento de acordar
na luz, adiantam o dia e fazem o despertador gritar de noite novamente.
E aquela gente que pula cedo, que abre os negócios, que limpa as salas, que vai
de ônibus, sai no escuro com todo o sono e a insegurança que vêm junto com a
hora a menos.
Mas se economiza energia. Elétrica. E a tarde das compras fica mais bonita. É o que importa. Afinal
quem decide adiantar os ponteiros não vive a mudança brusca. Acorda no frescor
da nova manhã e pode, sem que nenhum chefe puna, atrasar o início do trabalho nas primeiras
semanas, enquanto se acostuma. Paulatinamente.
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