Diz-que o Pique Pique foi criado por uns boêmios da Faculdade de Direito do São Francisco. Alguns discordam, mas não vejo razão pra disputar a autoria daquele horror. É uma cantoria arrastada, não tem ritmo e as pessoas (adultos!) ficam batendo palmas, tentando empurrar aquele bonde que não vai! Toda vez que acaba o Parabéns a Você, fico torcendo pra que ninguém se lembre daquilo e se evite a tortura.
Recentemente teve briga pela autoria do "ai se eu te pego". Três moças se diziam as compositoras e alguém escreveu (o Zé Simão?): "mas precisa de três pra compor aquilo?"
Outro caso é bem mais antigo. O Antonio Maria, quando disseram que "Ninguém Me Ama" era plágio, mandou: "mas bem essa porcaria! eu tenho tanta música melhor!"
"Ninguém me ama / ninguém me quer / ninguém me chama de Baudelaire" cantava o engraçadíssimo compositor.
Se é verdade que foi na São Francisco que nasceu o Pique Pique, trata-se de uma das piores contribuições das arcadas para a humanidade.
Origem do PIQUE PIQUE
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
Palavra nova inevitável
Despostar
Datação
sXXI cf. MRF
Acepções
■ verbo
transitivo direto
1 pegar de volta, evitar a publicação
Ex.: [postei um xingamento no facebook, pensei melhor e DESPOSTEI]
transitivo direto
2 arrepender-se por medo da má publicidade
Ex.: [ofendi meu chefe no facebook, mas precisava do emprego e DESPOSTEI]
Etimologia
do internetês: a hipótese melhor aceita data o uso no ano do nascimento do FaceBook. Segundo historiadores, no correio das cartas em papel era impossível, pois o buraquinho da caixa era pequeno, e no e-mail também, embora muitas vezes desse vontade.
Sinônimos
na acp. 1: ajuizar-se
na acp. 2: fugir (do pau)
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
A base
No início me incomodou um pouco a última estrofe, que servia de chave pra compreender as outras.
Besteira total! "presta a atenção com o coração antes de criticar, menino"
É um lindo conto da crueldade do macho branco. Tudo é bonito: as
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Besteira total! "presta a atenção com o coração antes de criticar, menino"
É um lindo conto da crueldade do macho branco. Tudo é bonito: as
vozes, o violão, a melodia, a letra, o assobio.
E o surdo... bem, o surdo é a base de tudo.
E o surdo... bem, o surdo é a base de tudo.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
De novo
Numa pesquisa sobre o passado do meu bisavô, imigrante italiano bem sorrateiro, me disseram pra procurar no arquivo de uma polícia, que o governo Getúlio teria cadastrado todos os estrangeiros.
Um mês depois voltei pra pegar o documento e o funcionário do balcão me perguntou se eu já tinha pedido de novo.
- Como assim, de novo?
Ele riu e explicou.
- O funcionário do arquivo é velhinho. Está cansado de providenciar documentos que depois ficam aí largados, que ninguém vem buscar. Então ele só faz a pesquisa se o interessado pedir duas vezes! se pedir de novo!
Faz sentido.
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Um mês depois voltei pra pegar o documento e o funcionário do balcão me perguntou se eu já tinha pedido de novo.
- Como assim, de novo?
Ele riu e explicou.
- O funcionário do arquivo é velhinho. Está cansado de providenciar documentos que depois ficam aí largados, que ninguém vem buscar. Então ele só faz a pesquisa se o interessado pedir duas vezes! se pedir de novo!
Faz sentido.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
De novo a dívida com o compositor
Estou sempre falando de canções.
É que é a expressão maior do nosso melhor jeito.
Daquele nosso jeito brasileiro de que tanto gosto (feicebuquianos, peço que me poupem de tanta crítica rasteira ao país, coisas como “só no Brasil mesmo” e “povo que tem cultura é que é bom, não como no Brasil” só me fazem excluir falsos amigos, um dos maiores prazeres do software internacional).
Depois de ouvir 73 vezes o disco “40 anos depois” do João Bosco, volto-me de vez para “Caça à Raposa” (como canta esse cara!)
Como em outro tempo de tortura profissional diária, infligida por formidáveis chefes algozes, os versos “deixei a fatia mais doce da vida / na mesa dos homens de vida vazia” enchiam minhas manhãs de congestionamento com cantares de liberdade, agora são esses que me socorrem:
AH RECOMEÇAR RECOMEÇAR
COMO CANÇÕES E EPIDEMIAS
Grato Aldir Blanc, grato João Bosco, recomecem sempre que a gente recomeça também.
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É que é a expressão maior do nosso melhor jeito.
Daquele nosso jeito brasileiro de que tanto gosto (feicebuquianos, peço que me poupem de tanta crítica rasteira ao país, coisas como “só no Brasil mesmo” e “povo que tem cultura é que é bom, não como no Brasil” só me fazem excluir falsos amigos, um dos maiores prazeres do software internacional).
Depois de ouvir 73 vezes o disco “40 anos depois” do João Bosco, volto-me de vez para “Caça à Raposa” (como canta esse cara!)
Como em outro tempo de tortura profissional diária, infligida por formidáveis chefes algozes, os versos “deixei a fatia mais doce da vida / na mesa dos homens de vida vazia” enchiam minhas manhãs de congestionamento com cantares de liberdade, agora são esses que me socorrem:
AH RECOMEÇAR RECOMEÇAR
COMO CANÇÕES E EPIDEMIAS
Grato Aldir Blanc, grato João Bosco, recomecem sempre que a gente recomeça também.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Quitinete, isso sim.
Ah, os nomes!
Um apartamento de trinta e poucos metros era uma quitinete. Agora é estúdio. Mudou. Menos pelo moleque, que continua fazendo o dever de casa em cima da televisão. Ainda bem que não tem mais aquela antena em "V"? Ainda tem, sim. Tem que driblar sem esbarrar pra não embaralhar a imagem.
E não adianta ficar botando prateleiras em toda parede e portas de correr que comunicam cômodos separados à noite, pra hora do amor abafado.
Casa de tamanho certo é a que tem lugar pras coisas que a gente não sabe onde pôr.
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Um apartamento de trinta e poucos metros era uma quitinete. Agora é estúdio. Mudou. Menos pelo moleque, que continua fazendo o dever de casa em cima da televisão. Ainda bem que não tem mais aquela antena em "V"? Ainda tem, sim. Tem que driblar sem esbarrar pra não embaralhar a imagem.
E não adianta ficar botando prateleiras em toda parede e portas de correr que comunicam cômodos separados à noite, pra hora do amor abafado.
Casa de tamanho certo é a que tem lugar pras coisas que a gente não sabe onde pôr.
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