quarta-feira, 5 de setembro de 2012

De novo

Numa pesquisa sobre o passado do meu bisavô, imigrante italiano bem sorrateiro, me disseram pra procurar no arquivo de uma polícia, que o governo Getúlio teria cadastrado todos os estrangeiros.

Um mês depois voltei pra pegar o documento e o funcionário do balcão me perguntou se eu já tinha pedido de novo.

- Como assim, de novo?

Ele riu e explicou.

- O funcionário do arquivo é velhinho. Está cansado de providenciar documentos que depois ficam aí largados, que ninguém vem buscar. Então ele só faz a pesquisa se o interessado pedir duas vezes! se pedir de novo!

Faz sentido.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

De novo a dívida com o compositor

Estou sempre falando de canções.

É que é a expressão maior do nosso melhor jeito.

Daquele nosso jeito brasileiro de que tanto gosto (feicebuquianos, peço que me poupem de tanta crítica rasteira ao país, coisas como “só no Brasil mesmo” e “povo que tem cultura é que é bom, não como no Brasil” só me fazem excluir falsos amigos, um dos maiores prazeres do software internacional).

Depois de ouvir 73 vezes o disco “40 anos depois” do João Bosco, volto-me de vez para “Caça à Raposa” (como canta esse cara!)

Como em outro tempo de tortura profissional diária, infligida por formidáveis chefes algozes, os versos “deixei a fatia mais doce da vida / na mesa dos homens de vida vazia” enchiam minhas manhãs de congestionamento com cantares de liberdade, agora são esses que me socorrem:

AH RECOMEÇAR RECOMEÇAR
COMO CANÇÕES E EPIDEMIAS

Grato Aldir Blanc, grato João Bosco, recomecem sempre que a gente recomeça também.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Quitinete, isso sim.

Ah, os nomes!

Um apartamento de trinta e poucos metros era uma quitinete. Agora é estúdio. Mudou. Menos pelo moleque, que continua fazendo o dever de casa em cima da televisão. Ainda bem que não tem mais aquela antena em "V"? Ainda tem, sim. Tem que driblar sem esbarrar pra não embaralhar a imagem.

E não adianta ficar botando prateleiras em toda parede e portas de correr que comunicam cômodos separados à noite, pra hora do amor abafado.

Casa de tamanho certo é a que tem lugar pras coisas que a gente não sabe onde pôr.

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Retratos de kodak

A técnica da fotografia é simples, de poucos truques: abertura, velocidade, foco, profundidade de foco, sensibilidade do filme (que coisa velha!). Muitos deles completamente esquecidos pelos donos de câmaras automáticas.

Mesmo para a "kodak" mais "caixão" (assim se chamava a câmara de lente fixa, que não permitia nenhum ajuste) estipulou-se uma regra rígida: "nunca bata a chapa de frente pro sol!"

Kurosawa dizia que a primeira vez no cinema em que se apontou uma lente direto pro sol foi em um de seus filmes (será Dodes´ka-den?). E o velho Akira fazia questão de ressaltar que não tinha sido ideia sua, mas de seu diretor de fotografia, um herege maravilhoso.

Mas nos piqueniques, como o fotógrafo obediente às regras ficava de costas pro sol, o fotografado ficava de frente pro astro-rei e toda uma geração foi retratada com aquela carinha enrugada e olhos apertados.

Ou de óculos escuros. Mas aí ficavam feios.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Vitória em meio de campeonato

Ser corintiano é estar campeão a cada vitória!

Mal o timão ganha uma partida, no meio da comemoração, algo exagerada, tenho que concordar, mas necessária e suficiente, sempre vem alguém: "vocês não vão ganhar o campeonato".

Ara, esse negócio de campeão ou vice nesse momento é como arrancar o primeiro beijo e já ficar com medo do divórcio. É coisa fora de tempo.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Livros, books e canções

Song-book é sempre um cozidão arriscado. Mistura artistas em interpretações muitas vezes excessivas de clássicos. Intérprete gosta de botar a marca. Clássicos são refratários. “Pára com essa firula e canta direito, menino”.

O do Caymmi-pai não é completa exceção a essa regra. Tem muitas maravilhas de interpretação e uma ou outra peraltice irritante de cantor, que a gente releva, pois as canções são do Dorival e não é preciso dizer mais nada.

É um baú de pérolas.

Já o título “Song-book de Dorival Caymmi” seria muito melhor se fosse “O Livro das Canções de Dorival Caymmi”. Muito mais sonoro e coerente.

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