A técnica da fotografia é simples, de poucos truques: abertura, velocidade, foco, profundidade de foco, sensibilidade do filme (que coisa velha!). Muitos deles completamente esquecidos pelos donos de câmaras automáticas.
Mesmo para a "kodak" mais "caixão" (assim se chamava a câmara de lente fixa, que não permitia nenhum ajuste) estipulou-se uma regra rígida: "nunca bata a chapa de frente pro sol!"
Kurosawa dizia que a primeira vez no cinema em que se apontou uma lente direto pro sol foi em um de seus filmes (será Dodes´ka-den?). E o velho Akira fazia questão de ressaltar que não tinha sido ideia sua, mas de seu diretor de fotografia, um herege maravilhoso.
Mas nos piqueniques, como o fotógrafo obediente às regras ficava de costas pro sol, o fotografado ficava de frente pro astro-rei e toda uma geração foi retratada com aquela carinha enrugada e olhos apertados.
Ou de óculos escuros. Mas aí ficavam feios.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Vitória em meio de campeonato
Ser corintiano é estar campeão a cada vitória!
Mal o timão ganha uma partida, no meio da comemoração, algo exagerada, tenho que concordar, mas necessária e suficiente, sempre vem alguém: "vocês não vão ganhar o campeonato".
Ara, esse negócio de campeão ou vice nesse momento é como arrancar o primeiro beijo e já ficar com medo do divórcio. É coisa fora de tempo.
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Mal o timão ganha uma partida, no meio da comemoração, algo exagerada, tenho que concordar, mas necessária e suficiente, sempre vem alguém: "vocês não vão ganhar o campeonato".
Ara, esse negócio de campeão ou vice nesse momento é como arrancar o primeiro beijo e já ficar com medo do divórcio. É coisa fora de tempo.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Livros, books e canções
Song-book é sempre um cozidão arriscado. Mistura artistas em interpretações muitas vezes excessivas de clássicos. Intérprete
gosta de botar a marca. Clássicos são refratários. “Pára com essa firula e
canta direito, menino”.
O do Caymmi-pai não é completa exceção a essa regra. Tem
muitas maravilhas de interpretação e uma ou outra peraltice irritante de cantor,
que a gente releva, pois as canções são do Dorival e não é preciso dizer mais
nada.
É um baú de pérolas.
Já o título “Song-book de Dorival Caymmi” seria muito melhor
se fosse “O Livro das Canções de Dorival Caymmi”. Muito mais sonoro e coerente.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012
Os invasores
Um artista inglês (veja aqui) pôs no CCBB em São Paulo um monte de esculturas de homens nus em tamanho natural. Nas posições as mais diversas - pendurados, caídos, encolhidos, esticados - todas têm algo como uns botões no corpo.

Também espalhou nas quinas dos prédios dos arredores outras semelhantes, mas em pé, retas e dignas.
Muito instigantes pra quem olha lá debaixo, quando as vi nos edifícios, antes de saber do museu, me pareceram seres que nos olhavam de cima, vindos de outra galáxia. Uma espécie de "Os invasores", embora de longe não desse pra ver se os dedinhos eram tortos.
Perguntando pras pessoas aqui e ali, soube que a maioria, na primeira vez que viu, pensou ser alguém prestes a se suicidar.
Impressão popular nada lisonjeira pra cidade.
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Também espalhou nas quinas dos prédios dos arredores outras semelhantes, mas em pé, retas e dignas.
Muito instigantes pra quem olha lá debaixo, quando as vi nos edifícios, antes de saber do museu, me pareceram seres que nos olhavam de cima, vindos de outra galáxia. Uma espécie de "Os invasores", embora de longe não desse pra ver se os dedinhos eram tortos.
Perguntando pras pessoas aqui e ali, soube que a maioria, na primeira vez que viu, pensou ser alguém prestes a se suicidar.
Impressão popular nada lisonjeira pra cidade.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Vícios de diplomados
Os médicos acham que são deuses, os economistas acham que têm alguma influência no mundo, os arquitetos acham que são donos do bom gosto, os publicitários falam da sua profissão na frente das crianças, os jornalistas acham que verdade é o que o dono do jornal quer, os engenheiros acham que basta fazer as contas direito, os advogados acham que verdade real é só uma exceção e por aí vai.
Diploma é coisa muito perigosa.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
Adoniran
Antes de mais nada, é um dos maiores letristas da Música Popular, o que no Brasil não quer dizer pouco.
Mas algumas análises sobre a obra do Rubinato incomodam.
Identificar Édipo em "Trem das Onze" é tão tolo, que basta dizer isso. "Trem das Onze" é uma das canções que mais brasileiros sabem de cor. Em qualquer lugar que você esteja, todo mundo canta. Ara, quem não tem momentos de amor prejudicados pelas obrigações do dia-a-dia?
Há outra análise, menos estreita, que também não compartilho: de que há legalismo no Adoniran.
O conformismo que às vezes vemos nos muitos personagens que ele cria não é legalismo, mas um certo realismo. Assim como o desprovido tem que se conformar com o raio que cai na sua casa em noite de tempestade, ele também se conforma com a pata cruel do estado e da sociedade que derruba seu barraco.
"oh oh oh oh oh meu senhor / é uma ordem superior" (*)
A relativização do direito de propriedade é recente e ainda insuficiente. A injustiça da ordem superior, baseada em conceito estreito de propriedade, é raio estatal que destrói a vida do desprovido.
Na definitiva "Saudosa Maloca", esse realismo é mostrado pela composição dos três personagens. Nela sim tem um legalista, simplista, "os home ta com a razão"; mas tem também um revolucionário, que quer gritar; e um religioso, que é a última palavra, "Deus dá o frio conforme o cobertor". E, nessa última palavra de fé, está a grande construção do realismo do Adoniran: pra maioria dos ferrados a religião é só o que resta.
João Rubinato não faz a música do "dever ser", mas a do "ser". Nos nossos dias, talvez Adoniran contasse sobre os movimentos sociais que existem e obtêm avanços. Seria bom tê-lo hoje como compositor.
(**)
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(*) Despejo na favela
(**) João Rubinato é o nome de Adoniran Barbosa. Uso pra evitar a repetição, truque estreito de escrevinhador barato.
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Mas algumas análises sobre a obra do Rubinato incomodam.
Identificar Édipo em "Trem das Onze" é tão tolo, que basta dizer isso. "Trem das Onze" é uma das canções que mais brasileiros sabem de cor. Em qualquer lugar que você esteja, todo mundo canta. Ara, quem não tem momentos de amor prejudicados pelas obrigações do dia-a-dia?
Há outra análise, menos estreita, que também não compartilho: de que há legalismo no Adoniran.
O conformismo que às vezes vemos nos muitos personagens que ele cria não é legalismo, mas um certo realismo. Assim como o desprovido tem que se conformar com o raio que cai na sua casa em noite de tempestade, ele também se conforma com a pata cruel do estado e da sociedade que derruba seu barraco.
"oh oh oh oh oh meu senhor / é uma ordem superior" (*)
A relativização do direito de propriedade é recente e ainda insuficiente. A injustiça da ordem superior, baseada em conceito estreito de propriedade, é raio estatal que destrói a vida do desprovido.
Na definitiva "Saudosa Maloca", esse realismo é mostrado pela composição dos três personagens. Nela sim tem um legalista, simplista, "os home ta com a razão"; mas tem também um revolucionário, que quer gritar; e um religioso, que é a última palavra, "Deus dá o frio conforme o cobertor". E, nessa última palavra de fé, está a grande construção do realismo do Adoniran: pra maioria dos ferrados a religião é só o que resta.
João Rubinato não faz a música do "dever ser", mas a do "ser". Nos nossos dias, talvez Adoniran contasse sobre os movimentos sociais que existem e obtêm avanços. Seria bom tê-lo hoje como compositor.
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(*) Despejo na favela
(**) João Rubinato é o nome de Adoniran Barbosa. Uso pra evitar a repetição, truque estreito de escrevinhador barato.
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