segunda-feira, 11 de junho de 2012

Livros, books e canções

Song-book é sempre um cozidão arriscado. Mistura artistas em interpretações muitas vezes excessivas de clássicos. Intérprete gosta de botar a marca. Clássicos são refratários. “Pára com essa firula e canta direito, menino”.

O do Caymmi-pai não é completa exceção a essa regra. Tem muitas maravilhas de interpretação e uma ou outra peraltice irritante de cantor, que a gente releva, pois as canções são do Dorival e não é preciso dizer mais nada.

É um baú de pérolas.

Já o título “Song-book de Dorival Caymmi” seria muito melhor se fosse “O Livro das Canções de Dorival Caymmi”. Muito mais sonoro e coerente.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Os invasores

Um artista inglês (veja aqui) pôs no CCBB em São Paulo um monte de esculturas de homens nus em tamanho natural. Nas posições as mais diversas - pendurados, caídos, encolhidos, esticados - todas têm algo como uns botões no corpo.





Também espalhou nas quinas dos prédios dos arredores outras semelhantes, mas em pé, retas e dignas.

Muito instigantes pra quem olha lá debaixo, quando as vi nos edifícios, antes de saber do museu, me pareceram seres que nos olhavam de cima, vindos de outra galáxia. Uma espécie de "Os invasores",  embora de longe não desse pra ver se os dedinhos eram tortos.



Perguntando pras pessoas aqui e ali, soube que a maioria, na primeira vez que viu, pensou ser alguém prestes a se suicidar.

Impressão popular nada lisonjeira pra cidade.

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tatoo

Tatuar-se é opção por nunca mais estar nu.

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terça-feira, 8 de maio de 2012

Vícios de diplomados

Os médicos acham que são deuses, os economistas acham que têm alguma influência no mundo, os arquitetos acham que são donos do bom gosto, os publicitários falam da sua profissão na frente das crianças, os jornalistas acham que verdade é o que o dono do jornal quer, os engenheiros acham que basta fazer as contas direito, os advogados acham que  verdade real é só uma exceção e por aí vai. 

Diploma é coisa muito perigosa.

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Adoniran

Antes de mais nada, é um dos maiores letristas da Música Popular, o que no Brasil não quer dizer pouco.

Mas algumas análises sobre a obra do Rubinato incomodam.

Identificar Édipo em "Trem das Onze" é tão tolo, que basta dizer isso. "Trem das Onze" é uma das canções que mais brasileiros sabem de cor. Em qualquer lugar que você esteja, todo mundo canta. Ara, quem não  tem momentos de amor prejudicados pelas obrigações do dia-a-dia?

Há outra análise, menos estreita, que também não compartilho: de que há legalismo no Adoniran.

O conformismo que às vezes vemos nos muitos personagens que ele cria não é legalismo, mas um certo realismo. Assim como o desprovido tem que se conformar com o raio que cai na sua casa em noite de tempestade, ele também se conforma com a pata cruel do estado e da sociedade que derruba seu barraco.

"oh oh oh oh oh meu senhor / é uma ordem superior" (*)

A relativização do direito de propriedade é recente e ainda insuficiente. A injustiça da ordem superior, baseada em conceito estreito de propriedade, é raio estatal que destrói a vida do desprovido.

Na definitiva "Saudosa Maloca", esse realismo é mostrado pela composição dos três personagens. Nela sim tem um legalista, simplista, "os home ta com a razão"; mas tem também um revolucionário, que quer gritar; e um religioso, que é a última palavra, "Deus dá o frio conforme o cobertor". E, nessa última palavra de fé, está a grande construção do realismo do Adoniran: pra maioria dos ferrados a religião é só o que resta.

João Rubinato não faz a música do "dever ser", mas a do "ser". Nos nossos dias, talvez Adoniran contasse sobre os movimentos sociais que existem e obtêm avanços. Seria bom tê-lo hoje como compositor.

(**)

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(*) Despejo na favela

(**) João Rubinato é o nome de Adoniran Barbosa. Uso pra evitar a repetição, truque estreito de escrevinhador barato.

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Acessibilidade

Dia desses, comparando um original com sua versão publicada, vi que tinham cortado (todos, senhor editor?) os parágrafos de uma linha.

Parágrafo de uma linha serve de corrimão.

Comprido.

Claro que os textos fluidos (há quem os prefira e quem não) são rampas suaves, mas outros são de parágrafos degraus, mais ou menos altos, e os escalam pernas mais ou menos fortes.

É truque bom esse do corrimão. Provê acessibilidade.

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segunda-feira, 12 de março de 2012

Pra que servem as certezas

Acho que ela tinha uns 16:

"Meu gato sumiu.

Minha mãe disse que de duas uma: ou ele foi atropelado e morreu; ou alguém roubou ele, que é bonitinho.

Mas eu tenho ceeerteeeeza que alguém roubou."

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