segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

De novo, a mudança do já escrito

Sou adepto do livro eletrônico (virtual todo livro é), ou pelo menos não sou do exército de resistência.

Dizem que é difícil se acostumar, mas é preciso ter calma!

Quando o livro substituiu o pergaminho, também fiz careta, mas depois me acostumei, mesmo considerando um prejuízo esse negócio de deixar o parágrafo ou a estrofe anterior encoberta pela página virada.

Fico feliz que o livro eletrônico, como o bom pergaminho, possibilite o “rolar”, contínuo, em vez do “virar”, brusco, embora o medo de perder leitores nostálgicos tenha mantido nele, por enquanto, a organização em páginas.

O único aspecto que estranho é o fim da “edição” como marco do pensamento do escritor naquele momento.

Os autores sempre mudaram seus textos em casa, mas publicar era um ponto final, só alterado por outro ponto final da nova edição. Degraus da evolução.

Por exemplo, acabei de mudar o texto abaixo “Regra deseducadora”. Tentei corrigir uns tropeços de redação e acrescentei um final para ampliar o argumento. Ainda que fosse obra importante, que merecesse atenção histórica, quem saberia desse passo?

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Regra deseducadora

Ainda sobre acordos sociais, é um falso avanço os avisos nos transportes públicos: “Este lugar se destina preferencialmente às gestantes, pessoas carregando crianças, idosos e pessoas com deficiência. Na ausência de pessoas nessas condições, o uso é livre”. Ufa.

Pra que tanto lero-lero? sem falar da odisseia que foi o trajeto da língua pátria até a expressão “pessoa com deficiência”, que passou pelo “deficiente”, que rotula e exclui; o “portador de deficiência”, inexato, pois deficiência não se carrega como um pacote; e sei lá mais que outras tentativas cheias de dedos.

Mas o mais grave é que esses avisos deseducam ao sugerir que cordialidade tem lugar marcado e que, lotados os bancos indicados, esgota-se a gentileza do coletivo.

Como o mundo não está mais pra meias palavras, melhor seria: “É óbvio que todos os lugares se destinam às pessoas que precisam mais. Seja gentil”.

Curto e grosso, até tinta se economizaria.

Agora, perfeito mesmo seria trocar tudo isso por uma placa de “bom dia” e o resto decorrer.

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Entre a cruz e a espada

Algumas normas de convívio eram retas, direcionadoras. O avanço do pensamento mais elaborado parece residir em grudar nelas algumas incertezas. Amolecer os grilhões em mãos macias que indicam não um caminho, mas a importância de andar.

Claro que essa dispersão das regras complica a vida. É muita encruzilhada pra pouco mapa.

Quando “respeitar os mais velhos” era uma máxima intocável, devia ser mais fácil ser professor. Estabelecia-se, logo que o pobre começava a aula, um respeito prévio que o protegia de enlouquecer com tanta baderna. Hoje, pro bem e pro mal, “respeitar os mais velhos” não se ensina mais e o pobre mal-pago tem que conquistar, centímetro a centímetro, a atenção de cada mente daqueles malucos que os pais mandam pra escola sem qualquer cerimônia.

Da mesma forma o “primeiro as damas”, que dava certa ordem pras filas, ou o “criança não deve participar de conversa de adultos”, que evitava as complicadas explicações daquilo que o guri na verdade não devia ter ouvido: “titia é sadomasoquista, papai? o que é isso?” ou “por que você disse que o irmão da mamãe é 171?” (claro que toda maledicência do mundo se destina aos cunhados).

Como não usamos mais regras retas e práticas como essas, cada passo tem que ser dado com um olho nos defeitos do chão.

Deve valer a pena, mas dá um trabalho!

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Há que se buscar

Convencionamos classificar as ciências em biológicas, exatas e humanas.

Que as jurídicas não sejam as desumanas.

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Desprezados demais

Que tal pedir, guiar e pôr em vez de solicitar, dirigir e colocar?

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Enquete

Já tentei uma enquete sobre onde ficam as meias de cada um. Agora pensei em outra.

Tem uma canção do Chico (Estação Derradeira - clique aqui), retrato muito bem feito do Rio, em que ele teme a noite da fogueira desvairada.

"São Sebastião crivado
Nublai minha visão
Na noite da grande
Fogueira desvairada"


Um chapa, Nelson de Oliveira, homônimo do escritor, dizia que o Buarque era um mau profeta. Que a noite da grande fogueira desvairada nunca aconteceria, que as classes mais mais altas nunca permitiriam, que havia alguns gramas de chumbo destinados a cada candidato a ator da fogueira.

Agora a gente viu tudo aquilo no Rio.

A grande fogueira desvairada não foi. O que foi então?

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Suspensórios

Vou logo esclarecendo que os uso.

Não se pode dizer que estão na moda, embora pouco importe, pois a melhor coisa a se fazer com a moda é ficar quietinho, que um dia ela passa por você. Diz um outro Mário que, com bengala e suspensórios, só me falta a gravata borboleta. Exagero do xará.

Tampouco os acho bonitos. Não há como negar que aquelas linhas sobre a camisa compõem um excesso. E eu não estou para excessos.

Uso, pois me cansei de puxar as calças pra cima, como me cansei de apertar o cinto contra os músculos já meio cansados do abdome. Sei de forças e tensões e, pra manter o cós no lugar certo, há que se garantir uma pressão no cinto muito superior ao peso das calças, que o atrito entre os tecidos é pequeno (se você não entendeu essa parte, deve ter um engenheiro por perto pra explicar melhor o que te conto).

Isso só acontece com os homens por uma razão óbvia: não temos quadris mais largos que a cintura, como as moças. Com a cerveja então, eles ficam mixos comparados com ela.

As mulheres com os quadris e os homens com os ombros: cada um segura as calças com o que tem.

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