Ainda não está no CID 10.
O gordinho Obelix nada tem contra os romanos, mas, quando sabe que estão vindo, sorri e aplaude (aquelas mãozinhas uma contra a outra negam a tese de que quadrinho não se move). Exulta só porque vai ter peleja.
Sofremos da mesma síndrome, não somos tão poucos assim, mas estamos fora de moda.
Deem-nos uma mesa de bar, umas geladas num balde, e logo logo falamos alto, gesticulamos e defendemos com paixão o que possivelmente atacávamos na semana anterior, no bar anterior.
Deixem-nos a peleja. Evita mais enfartes do que se abster de torresmo.
.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
O carunchinho da dúvida
O apelido, digamos, é Gero. Divertido, falante, de olhar sempre curioso e questionador.
- Esse país aí, o Haiti, vai ver que Deus ta castigando como fez com aquela cidade lá da Bíblia. Primeiro o terremoto e agora essa cólera matando tanta gente. E olha que na Bíblia era cidade. Agora é um país.
- E esses pais que maltratam tanto essa menina. Nesse jornal é só tristeza. Deus pode tudo, podia fazer esses dois estéreis. Mas não faz, deve ser pra exemplo pras outras pessoas.
Roa, carunchinho, roa.
.
- Esse país aí, o Haiti, vai ver que Deus ta castigando como fez com aquela cidade lá da Bíblia. Primeiro o terremoto e agora essa cólera matando tanta gente. E olha que na Bíblia era cidade. Agora é um país.
- E esses pais que maltratam tanto essa menina. Nesse jornal é só tristeza. Deus pode tudo, podia fazer esses dois estéreis. Mas não faz, deve ser pra exemplo pras outras pessoas.
Roa, carunchinho, roa.
.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Prejuízo da tecnologia
Criar coragem é evolução importante pros adolescentes.
Mesmo que a moça amada, sempre cercada de rapazes mais velhos, não deixasse muito claro se gostava da gente, cabia aos garotos espinhentos de então, ligar e enfrentar o risco de receber o "não". “Não” doía mais que tapa na cara, que era até bom em certas condições.
Tomava-se coragem, “larga a mão de ser molenga”, discava-se o número inteiro, depois de dez tentativas, e “AI QUE BOM, TÁ OCUPADO!”. Missão cumprida. “Fiz a minha parte”.
Agora o identificador de chamadas escancara o vexame. “ih, deu ocupado e ela vai ver que eu liguei e não deixei recado”. Quem vai gravar recado com voz trêmula?
Os pobres apaixonados de agora têm que ligar de orelhão.
.
Mesmo que a moça amada, sempre cercada de rapazes mais velhos, não deixasse muito claro se gostava da gente, cabia aos garotos espinhentos de então, ligar e enfrentar o risco de receber o "não". “Não” doía mais que tapa na cara, que era até bom em certas condições.
Tomava-se coragem, “larga a mão de ser molenga”, discava-se o número inteiro, depois de dez tentativas, e “AI QUE BOM, TÁ OCUPADO!”. Missão cumprida. “Fiz a minha parte”.
Agora o identificador de chamadas escancara o vexame. “ih, deu ocupado e ela vai ver que eu liguei e não deixei recado”. Quem vai gravar recado com voz trêmula?
Os pobres apaixonados de agora têm que ligar de orelhão.
.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Ainda a MPB
Poesia acho que é assim. Na primeira passada de "Construção" os versos são lógicos. Na brincadeira de inverter os termos das comparações, as passadas seguintes somam acaso à primeira e o melhor verso acabou por ser "e tropeçou no céu como se ouvisse música".
Não conheci até hoje uma única pessoa, com mais de quarenta, que não se lembrasse exatamente do que estava fazendo, com quem ou em que lugar, no momento em que recebeu a notícia da morte da Elis Regina. Popularidade de verdade é assim.
O que faz do Milton a única voz que merece catedral?
Não é por ser popular, mas a mpb tem poucos clássicos. Penso que, na arte, qualquer gênero tem poucos clássicos. "Garota de Ipanema" pode ser a canção mais conhecida do e no Brasil, mas não é um clássico. Clássico é "Asa Branca", é "Tristeza do Jeca", é "Trem das Onze". Um grande compositor pode passar a vida fazendo maravilhas e não ter a sorte de acertar um clássico. Clássico é tambem uma maravilha, mas só aquela que acerta em cheio o coração da sua gente. Claro que essa definição não é clássica. É insuficiente.
.
Não conheci até hoje uma única pessoa, com mais de quarenta, que não se lembrasse exatamente do que estava fazendo, com quem ou em que lugar, no momento em que recebeu a notícia da morte da Elis Regina. Popularidade de verdade é assim.
O que faz do Milton a única voz que merece catedral?
Não é por ser popular, mas a mpb tem poucos clássicos. Penso que, na arte, qualquer gênero tem poucos clássicos. "Garota de Ipanema" pode ser a canção mais conhecida do e no Brasil, mas não é um clássico. Clássico é "Asa Branca", é "Tristeza do Jeca", é "Trem das Onze". Um grande compositor pode passar a vida fazendo maravilhas e não ter a sorte de acertar um clássico. Clássico é tambem uma maravilha, mas só aquela que acerta em cheio o coração da sua gente. Claro que essa definição não é clássica. É insuficiente.
.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Boca boa
- filha, sua tia tem uma boca bôoooa!
- ela beija bem, vó?
- não, credo!, ela não é vadia, mas come que é uma beleza, olha como tá gordinha.
.
- ela beija bem, vó?
- não, credo!, ela não é vadia, mas come que é uma beleza, olha como tá gordinha.
.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Invenções

Um moço fez uma dissertação sobre a gambiarra:
Dissertação de Rodrigo Boufleur
Isso me lembrou meu pai. Muito habilidoso, não fazia nada mal feito, mas era Prof. Pardal com certeza. Como era insone, meditava muito e de manhã ia pra oficina pra fazer umas pérolas como essa aí em cima.
É um cortador de grama que saiu de um velho liquidificador de ponta-cabeça (vermelho, belíssimo), com rodas de carrinho de feira (azuis!) e tem a caixa do interruptor, de madeira, verdadeira obra-prima.
.
Eh, moço Chico Buarque
- O moleque é dessalturinha, bate no seu joelho, Joana.
- Quéisso, Pedro, minha perna é cumprida.
- Perna boa de fugi da polícia.
- Sabe aquela música, do Chico (falei baixinho, desculpa aí, Francisco, queria me aproximar), que o Mussum cantava (falei alto), aquele que trabalhava com o Didi, aquele que morreu?
- O baixinho?
- Não, Cida, o baixinho era o Zacarias, o Mussum era alto, negro, cantava num grupo de samba, a letra era assim: “Deus me deu mão de veludo pra faze carícia / Deus me deu muita saudade e muita preguiça / Deus me deu perna cumprida e muita malícia / pra corre atrás de bola e fugi da polícia”
- Que bonito! E é tudo rimado, né?
Os três ali lavando prato atrás do balcão e o dono, no caixa, de cara amarrada, que “desse jeito o serviço não sai”.
.
- Quéisso, Pedro, minha perna é cumprida.
- Perna boa de fugi da polícia.
- Sabe aquela música, do Chico (falei baixinho, desculpa aí, Francisco, queria me aproximar), que o Mussum cantava (falei alto), aquele que trabalhava com o Didi, aquele que morreu?
- O baixinho?
- Não, Cida, o baixinho era o Zacarias, o Mussum era alto, negro, cantava num grupo de samba, a letra era assim: “Deus me deu mão de veludo pra faze carícia / Deus me deu muita saudade e muita preguiça / Deus me deu perna cumprida e muita malícia / pra corre atrás de bola e fugi da polícia”
- Que bonito! E é tudo rimado, né?
Os três ali lavando prato atrás do balcão e o dono, no caixa, de cara amarrada, que “desse jeito o serviço não sai”.
.
Assinar:
Postagens (Atom)