sexta-feira, 3 de julho de 2009

Diz-que-diz


Por mais que elas tentem ler, não conseguem compreender por que estão presas.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Unidade de medida adequada

Não se mede a grandeza de um ser humano com fita métrica. "Uma grande pessoa" não é aquela que nos vê de acima de 1,80m.

Assim também é com a idade.

Medir a idade em anos pouco nos diz sobre o medido. Idade se mede em "ais": quantos "ais" o pobre emite ao se sentar ou ao se levantar.

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Abraço para um músico sem nome

Da Tristeza do Jeca não falo. Quem quiser que ouça que não vai se arrepender.

Tristeza do Jeca

Nesse linque aí de cima ela está inteira. Nesse outro, é só um trecho com imagem do Tonico e Tinoco (a gente escreve "do Tonico e Tinoco" como se fosse uma unidade e acho que é mesmo):

Tonico e Tinoco

Ali embaixo, nos comentários, tem um recadinho de uma pessoa que se denomina BrasilianMusician:

"Fui sanfoneiro desses dois durante anos. Hoje em dia transformei-me num pianista medíocre."

Blog também serve pra deixar abraço.

Um grade abraço, Brasilian Musician.

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terça-feira, 17 de março de 2009

Português de Portugal?

O lado português dos meus ascendentes, o que veio da mãe, responsável por 50% do que tenho aqui, era (e minha mãe é) bastante melancólico, confirmando a regra.

Mas também é formado por pessoas gentis, habilidosas na língua de vocabulário solene na dose certa.

Minha mãe, senhora que é, não faz cocô, que é coisa de criança; não defeca, que é coisa de médico; não caga, que é coisa de homem; e não faz número 2, que não nasceu ontem.

A respeitável senhora, se tudo corre bem (sabe como são as mulheres nessas coisas), VAI DE CORPO.

É assim: "veja, filho, já faz três dias que não vou de corpo".

Já perguntei, ninguém mais conhece. Será expressão da terrinha?

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sábado, 7 de março de 2009

Perdão em excesso

O amor redime.

Está num monte de histórias escritas e filmes de amor. O cara é um crápula, começa a amar e logo tá todo mundo chorando por ele.

O maior exemplo de que me lembro é o King Kong. Por causa do grande amor e dos imensos olhos tristes do macacão, todos derramam baldes de lágrimas entre as cadeiras do cinema e maldizem a civilização que tratou tão mal o apaixonado. Nos nossos dias de preservação ambiental, a crueldade parece ainda maior.

Ninguém se lembra que, nos séculos anteriores à chegada da loira, o gorilão exigiu dos pobres nativos, todos os anos, que entregassem sua moça mais linda para comer por via oral.

Enquanto todos choravam em Nova Iorque, havia festa na aldeia.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A areia de Borges

Eu tinha escrito na postagem anterior, aí embaixo:

" Quando eu tinha quinze, desisti do rock. Acho que fiz bem, o rock envelheceu rápido e eu ia ficar na mão antes dos quarenta.

Fui pro samba! Esse sim, eterno!"


Mas acho que não é verdade. Mudei. Ficou assim:

"Quando eu tinha quinze, desisti do rock. Acho que fiz bem, o rock dizia pouco pro meu jeito de brasileiro interiorano.

A arte universal (exceto em raras e maravilhosas exceções) é como um lago de 15 centímetros de profundidade e muitos quilômetros quadrados de superfície. Um volume imenso de água.

A arte mais ligada a uma determinada cultura tem superfície muito menor, mas vai a centenas de metros de profundidade. Um volume de água bastante inferior, mas, pra quem mergulha nessas águas escuras, de infinitas possibilidades.

Fui pro samba! Este sim, da minha aldeia!"


Em blog, a gente publica e despublica, mais ou menos como em "O livro de areia" do Borges.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ave, piratas

Quando eu tinha quinze, desisti do rock. Acho que fiz bem, o rock dizia pouco pro meu jeito de brasileiro interiorano.

A arte universal (exceto em raras e maravilhosas exceções) é como um lago de 15 centímetros de profundidade e muitos quilômetros quadrados de superfície. Um volume imenso de água.

A arte mais ligada a uma determinada cultura tem superfície muito menor, mas vai a centenas de metros de profundidade. Um volume de água bastante inferior, mas, pra quem mergulha nessas águas escuras, de infinitas possibilidades.

Fui pro samba! Este sim, da minha aldeia!

Éramos um grupo de amigos que gostava de músicas semelhantes e, meio pobres, comprávamos os vinis e emprestávamos uns aos outros pra piratarias em k7. Até hoje as tenho, quando tento ouvir quase nunca tocam, as fitas são pouco duráveis como o rock, mas não tenho coragem de jogar fora.

Uma vez um ladrão entrou em nossa casa e levou dezenas de fitas e nenhum vinil. O objetivo era claro: queria a mídia (que valia) e não seu conteúdo (que não valia nada). Uma ofensa.

Era um belo clube aquele dos piratas. Eu, que não jogava bola, tinha poucas diversões e minha mãe se alegrava muito de me ver interessado em ouvir e trocar músicas com os amigos.

Agora a pirataria mudou. Melhorou.

Agora a gente ouve uma música no carro, no caminho do trabalho, e, quando quer compartilhar, grava em MP3 e manda pralgum amigo que pode compreender o entusiasmo que a canção despertou.

E o navio pirata de vento em popa.

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